sábado, setembro 20

Renascimento

Não importa mais nada...
Apenas o agora do hoje que não aborta a verdade do ontem...
Nas duas faces.
Nada mais importa...
O dizer de amanhã não será precedido hoje e nem o foi ontem,
Nas duras faces.
Não por nada...
Não importa...
Nem virando a mesma face...
Nem recriando-me em outras máscaras.
Da minha verdade ao meu negativo,
Apenas não dizer a próxima vontade
É o que digo.
De lavada face é o que me importa.
E saio e volto e mais nada.
Se volto ontem e padeço agora.
Se sigo fora ou se minto,
Se parto agora, se em pedaços fico,
Se em minha verdade, ou se em meu castigo...
Não importa,
Renasço.
Marcelle Araujo

quarta-feira, setembro 17

Libertação

"Quem me conhece, sabe. Não guardo nada pra depois. Não economizo felicidade. Não economizo palavras. Não economizo vontades. Na verdade, não me economizo. Não espero o momento certo, não tenho o perfume lacrado, o vinho guardado, a lingerie na caixa, a surpresa pronta para a data especial. Toda hora é agora. Quase impossível deixar pra mais tarde. Pode ser um defeito devastador, eu sei. Mas não está em mim engolir desejos, usar camisola rasgada pra dormir sozinha, passar lavanda barata para ir ao supermercado, dizer que não quando a vontade é dizer sim. Não está em mim fazer jogo, fazer tipo, esperar pra ver, ficar com gosto do beijo não dado, deixar a página em branco com medo de confessar. Ah, me poupe! Eu quero provar o inesperado, improvisar meu mundo, fazer festa sozinha, me enfeitar e me embebedar. De mim.

Quero muito mais do que sou, quero o agora e quero o depois. Eu não gosto de rótulos, cansei de regras, estou entediada com tanta posologia na vida, acho "modo de usar" um tanto quanto limitado, considero uma pobreza de espírito essa moda de "achar", "julgar" e "estereotipar". Eu quero mais é ser feliz hoje, quero me sentir bem AGORA..."



Fernanda Mello

E eu, Marcelle, roubando palavras...

Só isso!

Imagem: logoali.wordpress.com

sexta-feira, setembro 5

Relógio fechado - Livro

Imagem: farm3.static.flickr.com

Livro fechado: e eu que estava gostando da leitura?

Não interessa... Já levaram o livro... Embora...

Arremeçaram na piscina...

Só isso.

Marcelle



terça-feira, agosto 19

Que apressem o cronômetro...


O tempo
Agora que foi dada a largada, e que me encontro em plena época de olimpíadas inerte numa piscina imensa, declaro que não pretendo subir..., nem atravessá-la, porque não vejo o fim. Vou ficar aqui, exatamente no mesmo lugar. Também não desejo reciclar o ar que se for lentamente dos meus pulmões porque é sufocada mesmo que me sinto, na espera do momento certo...; na espera que o ar volte talvez, mesmo ausente na piscina, mesmo sem precisar de mim...
Momento em que valha a pena ser resgatada daqui para algum lugar seguro, que se pareça com um passado muito breve talvez... Até que o tal do tempo seja condizente e responda as inquietações que me cercam como toda essa água ou até que meus pensamentos sejam um a um a f o g a d o s... Porque sobreviver com eles, não poderei mais. Prefiro mesmo que o ar me falte e que eu entorpeça ou alucine em outros devaneios de sobrevivência. E é só!
Marcelle
Araujo


Imagens: www. google.com br

camilacamargo.wordpress.com

segunda-feira, agosto 11

'L'ombre de ton ombre, l'ombre de ta main, l'ombre de ton chien...'



Cheers. I figured a little free writing wouldn't do us much harm, so here's to tragedy. A fundamental spice, not needing to be a social voyeur to recognize its meaning.
I'm not referring to hurricanes, volcanoes, cyclones or wars. At least the geophysical or social categories, but the intrinsic. What could be more tragic than a lost chance, calling someone else his name, words left unsaid, wishing you had made it to that funeral, starting up that fight you never did because you thought it just wasn't worth it, eating that pie, giving that gift you considered too kitsch, drinking that bottle. Or just that glass.
Tragedy expresses itself in so many facets. I have this vivid picture of myself trying to grab water with my bare hands. Perhaps it has something to do with Gianluca Grignani's 'La mia storia tra le dita', which was part of my teenage soundtrack, but, oramai, non saprei dirlo. Just like that dream I once had about a boy who had the most beautiful blue eyes I had ever seen, and when I told him that, he replied that he was blind.
Another notable aspect of tragedy is self accomplishment. It simply draws one to consumate not more, nor less than its natural finale. As getting on a plane to eastern skies, arian grounds, mediterranean sunsets. Not mattering that slippery water running through those fingers. To the point you can't discern between cold, warmth, or pain.
Let's reconcile. '...sin perder la ternura.' The anterior catharsis is essential to the enrichment of one's full being. A writer once said that the unhappy years were accountable for the greatness of his work, not the joyful moments. It's common knowledge that the best victory is the one an individual fought hard to achieve. Otherwise, there would be no means of satisfaction. Certainty does lead to undervaluing, taking things for granted.
What makes you ache, makes you smile. Those same 'vasa' that cause you to bleed, may make you blush. Or even your heart beat faster when he walks by your sidewalk or your thoughts. Gently wondering- he, or someone else, or something might return.
Amanda Cardoso
Texto de minha grande amiga Amanda, que comungou sempre comigo meio que telepaticamente tantas EMOÇÕES... E não há nada melhor do que dividirmos a linguagem dos anjos entre seres de mesma espécie! Por isso, aqui na varanda reservo este pequeno espaço para suas palavras de poliglota e gênio literário (na minha opinião) que por ventura vêm a complementar o meu texto "transeuntes no tempo" quase que na íntegra. Seus comentários me foram relatados on line. E meus agradecimentos, assim - também!
Espero que aprecie na estrutura que escolheu!
Um forte abraço, Marcelle.
P.S.: Sinto-me lisongeada com sua presença na varanda!
Parabéns pela profundeza do texto!

domingo, agosto 10

O valor de um presente...





Esta é uma história sobre um jovem casal, Jim e Della. São pobres mas muito apaixonados. Com a proximidade do Natal, Della tinha dúvidas sobre o que comprar para presentear Jim. Ela gostaria de lhe dar uma corrente para o relógio de bolso que ele mantinha com tanto carinho, mas ela não teria dinheiro suficiente. Então ela teve uma idéia. Ela tinha longos e belos cabelos. Assim Della decidiu cortar o cabelo e vendê-lo para comprar a caprichosa corrente para o relógio de Jim. Na véspera do Natal ela volta para casa, e na mão dela está um caixa bonita que contém uma corrente de ouro que comprara vendendo o seu cabelo. De repente Della começa a se preocupar. Ela sabe que Jim sempre gostou do cabelo longo, e temia desapontá-lo por tê-lo cortado e vendido.


Della sobe o último lance de degraus que conduzem para o seu minúsculo apartamento. Abre a porta e é surpreendida ao encontrar Jim em casa esperando por ela. Nas mãos dele um embrulho que, com certeza, contém o presente que ele comprou para ela. Quando Della remove o lenço Jim vê o cabelo cortado, e arregala os olhos. Mas ela não diz nada. Ele sufoca as lágrimas e entrega à Della a caixa de presente. Quando Della abre a caixa, mais uma surpresa. Na caixa, um bonito jogo de pentes de prata para o seu longo cabelo. E quando Jim abre o presente dele, ele, também, está surpreso. Dentro da caixa uma bonita corrente de ouro para o seu relógio de bolso.


Só então Della descobre que Jim penhorou o relógio de ouro dele para lhe comprar os pentes de prata. Aprenderam, ambos, que mais bonito que todo e qualquer presente é o amor que ele simboliza.


Rivalcir Liberato


www.rivalcir.com.br/mensagemparavoce/42_valordopresente

Imagem: www.rivalcir.com.br/mensagemparavoce/42_valordopresente

Entrega - qual está o sentido das surpresas que deixamos ...


Marcelle


terça-feira, julho 29

Re-entitulando: "A Vida da Atriz"

Após seis meses de abstinência, finalmente me rendo aos prazeres da frequência cardíaca elevadíssima, do suor escorrendo, dos músculos tensos, da fronte rígida, da água escassa, das endorfinas... De volta aos movimentos e à vida, se me permitem filosofar, ("porque só o que é morto tá parado") reencantei-me, ali na academia, com aquela música que me remete aos meus tempos de teatro em que, sim, me sentia humildemente "atriz" por alguns segundos... Aos mistérios que havia naqueles tempos e à magia que se segue, só cabe hoje, na varanda, essa música e mais nada...


Olha,
Será que ela é moça?
Será que ela é triste?
Será que é o contrário?
Será que é pintura?
O rosto da atriz...
Se ela dança no sétimo céu,
Se ela acredita que é outro país,
E se ela só decora o seu papel?
- E se eu pudesse entrar na sua vida?

Olha,
Será que é de louça?
Será que é de éter?
Será que é loucura?
Será que é cenário?
A casa da atriz...
Se ela mora num arranha-céu,
E se as paredes são feitas de giz,
E se ela chora num quarto de hotel?
- E se eu pudesse entrar na sua vida?


Sim, me leva pra sempre, Beatriz,
Me ensina a não andar com os pés no chão,
Para sempre é sempre por um triz...
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão?
Diz se é perigoso a gente ser feliz?


Olha!
Será que é uma estrela?
Será que é mentira?
Será que é comédia?
Será que é divina?
A VIDA DA ATRIZ...
Se ela um dia despencar do céu?
E se os pagantes exigirem bis?
E se o arcanjo passar o chapéu?
- E se eu pudesse entrar na sua vida...?

- Perfeita! Obrigada Chico!

Chico Buarque de Holanda

Recomendo na voz de Ana Carolina

Imagem retirada da galeria de fotos do site "Vagalume".

Postagem de Marcelle Araujo.




quarta-feira, julho 23

segunda-feira, julho 21

Transeuntes no tempo





















Eu, colecionadora nata de almas, divago hoje entre o haver e o sentir... Vinha entornando-me de esperas, ultrapassando próprias expectativas e recolhendo as prendas que nem julgava merecer. Até aqui!

Entre a tarefa árdua diante da conquista mútua e da saída brusca e sábia da vida dos que não me "pertencem", fico com a melhor e pior partes... E bem sei eu dos preços a que me submeto custear das almas, as emoções... E custeio porque jogar é para os bem pobres (de espírito); porque fingir é dos indignos do que comem; porque amaldiçoar é simplesmente impróprio!!! Porque seu sorriso é que foi minha alienação...

Sim! Enlouqueci... Desde o início! E quem disse que não é no mundo dos loucos que se encontra a paz? Onde ditaram as condutas - receitas inúteis de cápsulas prontas - para sermos de fato felizes? Quem disse que tem que ser pra sempre, se o sempre escapa-me na medida certa? E se volta SEMPRE enquanto eu puder lembrar? (E sorrir?)

Não. Não precisa assinatura! Nem promessa... Aliás, esta última é a maior praga da humanidade e experimentei ser divina por uns dias... E mais: tive o retorno inesperado à leitura de minhas linhas escritas, de minhas linhas contadas, de minhas linhas desnudas. Porque em seus olhos li a verdade que não tenho visto mais. Em seus movimentos tive a criança que procuro em mim; o lúdico de que me despedi quando a minha graça se foi. Aí descobri que deixei de recolher prendas porque me deram de beber o sumo e de comer a nata, me fazendo saborear aos poucos até entorpecer-me da alma que tanto procurava.

Seu adeus não é de morte - para o qual me vendi há 10 anos. (E que sorte!!!). Sua partida não é de passagem se há tanto que ficou aqui... Nem sei se sua ida tem volta! Mas pertenceremo-nos para sempre (cabendo aqui o bom uso desta palavra) na história que ficou sem fim e nada pode mudar esta doce realidade! Porque fomos INTEIROS somando versões, multiplicando os segundos, surpreendendo o ininterpretável diante nossos próprios olhos! (E os de tantos quantos puderam nos alcançar...).

O limiar da dor segue apenas na saudade que de temida e companheira só me ensina a amar melhor o que deixo livre como sou...

Assim seja!
Marcelle.

Imagens: guardiadesonhos.spaces.live.com
petalas.blogs.sapo.pt

Muito obrigada...

"Quanta verdade você suporta?
Às vezes penso que sou a pessoa mais solitária do mundo. A minha solidão não depende da presença ou ausência de pessoas, pelo contrário, odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia!"
(Nietzsche)


nelsonjunior.files.wordpress.com/2008/04/casa...

Partida

Ainda que os ventos nos mudem a direção,
A clareza e a verdade nos acompanham,
Pois nenhum vento sabe fugir da Luz,
E sempre se acalmam quando sentidos como
Manto Divino tocando as almas.
Marcelle

A música da Varanda...




Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão



Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraíso se mudou para lá



Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real



Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá




Vem andar e voa

Vem andar e voa

Vem andar e voa




Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão



Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for


(Varanda dos fundos)




Vilarejo - Marisa Monte

www.esec-emidio-navarro-alm.rcts.pt/dramas_pe...

sexta-feira, julho 18

A seta e o alvo...


Eu falo de amor à vida,


Você de medo da morte.


Eu falo da força do acaso


E você de azar ou sorte.


Eu ando num labirinto


E você numa estrada em linha reta.


Te chamo pra festa,


Mas você só quer atingir sua meta.


Sua meta é a seta no alvo,


Mas o alvo, na certa, não te espera.


Eu olho pro infinito


E você de óculos escuros.


Eu digo: "Te amo!"


E você só acredita quando eu juro.



Eu lanço minha alma no espaço,


Você pisa os pés na terra.


Eu experimento o futuro


E você só lamenta não ser o que era.



E o que era?


Era a seta no alvo,


Mas o alvo, na certa, não te espera.



Eu grito por liberdade,


Você deixa a porta se fechar.



Eu quero saber a verdade


E você se preocupa em não se machucar.


Eu corro todos os riscos,


Você diz que não tem mais vontade.


Eu me ofereço inteiro


E você se satisfaz com metade.


É a meta de uma seta no alvo,


Mas o alvo, na certa não te espera!


Então me diz qual é a graça


De já saber o fim da estrada,


Quando se parte rumo ao nada?


Sempre a meta de uma seta no alvo,


Mas o alvo, na certa, não te espera.


Então me diz qual é a graça


De já saber o fim da estrada,


Quando se parte rumo ao nada?


Composição: Paulinho Moska e Nilo Romero

Imagem: farm4.static.flickr.com

segunda-feira, julho 14

Depois


Depois da chuva, o sol


Depois do um, o dois


Depois do outono, a primavera


Depois da árvore, a semente


Depois da galinha, o ovo


Depois do mar, o continente


Depois do vento, a calmaria


Depois da saudade, o encontro


Depois do dia, o momento esperado nesta varanda, a NOITE.













domingo, abril 20

Teresopolitando


“A maior solidão é a do ser que não ama। A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana।A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro।O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo। Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno। Ele é a angústia do mundo que o reflecte। Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o património de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre।”
Vinícius de Moraes

quinta-feira, abril 10

É... estou pensando!

Sim! Esta varanda já tem tempo suficiente para pensarmos em reformas.

Ando afeita a elas, desde quando me desencantei com as revoluções!

As reformas nos chamam mais para nossa humanidade, enquanto as revoluções são sempre produto de muita pretensão humana, de efetivamente virar a página, como se nossas vidas fossem livros, cuja determinação do escritor, definisse isto ou aquilo.

Hoje me concebo muito mais como uma tela. As novas tintas sobrepõem às velhas, e assim penso que o quadro, sempre inacabado, é belo em todas as existências, pois o movimento que o garante, é sua própria identidade.

Ando pensando em reformar a varanda! Ela nasceu em meio a muitas lágrimas e risos frouxos. Sim... eu fui feliz!

Hoje, lamentavemente ouvir um discurso inútil, vazio, cujo título era "Eu odeio Chico Buarque". Quem escreveu, em um jornal de circulação popular da cidade que eu moro, foi um colega de trabalho, que mal conheço de vista. Fiquei pensando o quanto precisamos falar sobre o que nos incomoda, e aqui estou eu... (rs). Felizmente o que incomoda o incomodado com o Chico, não é o mesmo que me incomoda...

Dada a minha paixão pela obra viva de Chico, eu pulsei na hora que ouvia atentamente a leitura da reportagem. Pensei primeiro criticamente: será que minha paixão é cega a ponto de eu encher o saco de quem diz não gostar de Chico? Acho que não... mas aceito ponderação contrária!
Depois pensei: de onde vem a vontade de pessoas, que são projetadas a ponto de emitir suas opiniões em um jornal de ampla circulação em Campos dos Goytacazes (quase sempre entendida como umbigo do mundo pelos campistas), manifestarem seu ódio? Não seria possível lamentar a existência de um universalismo radical dos fãs de Chico Buarque, e inclusive levantar questão urgentes sobre as unanimidades? Não faço idéia se Chico se pretende universal, atendendo ao gosto de todos, embora seja visível seu ecletismo. Minha admiração por Chico, me faz pensar que ele não se pretende universal, e se ele se pretende, eu teria aí um motivo de ressalva para a minha enorme admiração.

Quanto ao colega, pensei: "uns gostam dos olhos, e outros gostam da remela". Só não dou um grito de "Viva a Democracia" por crer plenamente que "toda unanimidade é burra", inclusive os que partindo do princípio da unanimidade, defendem a democracia.
E volto à pergunta: qual é necessidade de expressar que odiamos? E, eu, que me sinto traduzida pela poesia buarquiana, tenho por isto um defeito socialmente icorrigível para os que se pretendem universalistas, egos transcendentais?

Coincidências à parte, tomei estas questões, após pensar a reforma da varanda, em tons azuis, inspirada na música Vida, por estar ávida de luz! Eu reconheço que eu fui feliz nas trevas da noite... e, eu bem sei por qual razão de meu corpo estar pedindo mais dia!
Quero continuar batendo papo na varanda... não sei se minha parceira de alpendre vai topar papear à luz do dia... vejamos!

Preparando a reforma


VIDA

Chico Buarque


Vida, minha vida

Olha o que é que eu fiz

Deixei a fatia mais doce da vida

Na mesa dos homens, de vida vazia

Mas, vida, ali, quem sabe, eu fui feliz

Vida, minha vida

Olha o que é que eu fiz

Verti minha vida nos cantos, na pia

Na casa dos homens de vida vadia

Mas, vida, ali, quem sabe, eu fui feliz

Luz, quero luz

Sei que além das cortinas são palcos azuis

E infinitas cortinas com palcos atrás

Arranca, vida

Estufa, veia

E pulsa, pulsa, pulsa,

Pulsa, pulsa mais

Mais, quero mais

Nem que todos os barcos recolham ao cais

Que os faróis da costeira me lancem sinais

Arranca, vida

Estufa, vela

Me leva, leva longe,

Longe, leva mais

Vida, minha vida

Olha o que é que eu fiz

Toquei na ferida, nos nervos, nos fios

Nos olhos dos homens de olhos sombrios

Mas, vida, ali, eu sei que fui feliz

Luz, quero luz

Sei que além das cortinas são palcos azuis

E infinitas cortinas com palcos atrás

Arranca, vida

Estufa, veia

E pulsa, pulsa, pulsa,

Pulsa, pulsa mais

Mais, quero mais

Nem que todos os barcos recolham ao cais

Que os faróis da costeira me lancem sinais

Arranca, vida

Estufa, vela

Me leva, leva longe,

Longe, leva mais

Vida, minha vida

Olha o que é que eu fiz...
A foto desta postagem foi tirada por mim, Marcia. Era véspera do Natal de 2007, na BR101, quando fiquei sabendo que esta árvore tratava-se de uma sobrevivente solitária da Mata Atlântica no Espírito Santo. Só isto me já me chamou atenção! Quando soube que os moradores dos arredores construíram um protetor para ela, pois estava sobrecarregada dos transeuntes inscrevendo seus nomes, certamente flechados em um coração que machuca também o belo cedro.
Achei tudo isto muito rico em simbologia:
uma espécie rara,
à beira da estrada,
entre tantas matas de eucalipto,
solitária entre tantas iguais árvores.
Sendo assim, passou a ser própria para humanos,
nem tão enraizados,
mas igualmente sós,
entre tantos iguais,
mas de passagem,
incrustrando no cedro sua identidade,
o seu desejo de felicidade,
ou até mesmo a sua dor.
Tudo isto, levantou o cuidado dos mais prudentes e enraizados,
atentos à sóbria e imponete sabedoria do cedro.
Deu vontade de aprender as lições... tirei a foto, e segui viagem!

Reforma da Varanda...

Cores novas, formatos novos, muretas novas... enfim: novo astral, novas abordagens sobre velhas questões e entre velhas amigas...
Aguardem!